quarta-feira, 8 de abril de 2015

PAIS EXIGENTES, FILHOS AMOROSOS

Muitos pais, hoje em dia, dão de tudo aos filhos; inclusive, liberdade desmedida. Aceitam, complacentemente, os erros de seus rebentos, por medo de puní-los? Sim, responde a maioria das pessoas. Ouve-se ainda que, em razão da atual educação permissiva familiar, menores de idade desrespeitam professores, badernam, usam drogas, praticam crimes e até agridem os próprios pais.
De fato, se compararmos a maneira como agora se educa com aquela de 40 ou 50 anos, há mesmo uma grande diferença.
Antigamente, bastava um olhar dos pais. O rigor educacional, daquela época, produzia meninos e meninas trabalhadores, obedientes, que jamais levantavam a voz ao professor, nem causavam prejuízos aos outros. Sem dizer que era bem pequena a taxa de criminalidade entre adolescentes. Disse-me, certa vez, um senhor de 76 anos, com acurado acerto: "Doutor! Se um filho não respeita o pai ou a mãe, quem ele irá respeitar fora de casa?"
No passado, cumpria-se a lei brasileira. Isso porque o Código Civil estabelecia e ainda estabelece: "os pais devem exigir dos filhos, menores de 18 anos, obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição". Leia-se, com atenção, as palavras da lei, que impõe aos pais o "dever" de "exigir" dos filhos menores "obediência" e "respeito". Ou seja, para a lei, o amor de um pai e de uma mãe ao seu filho ou filha, necessariamente, passa pela exigência, cobrança, vigilância e, eventualmente, punição.
Se alguns educadores atuais são contrários ao rigorismo de pais, com o argumento de que tudo ou quase tudo se resolve em diálogo, é bom deixar claro que a lei brasileira é taxativa: numa relação entre pais e filhos não há igualdade. Isso não significa, óbvio, que o diálogo está proibido. Para a lei, os pais são obrigados a mandar e os filhos, a obedecer. Repita-se: para a lei brasileira, entre pais e filhos, deve-se impor a hierarquia, que, obviamente, nada diz respeito a agressões físicas ou verbais, aliás, qualquer tipo de excesso de pais contra filhos.
Como bem aponta o jornalista Carlos Alberto Di Franco, "a omissão da família está se traduzindo no assustador aumento da delinquência infanto-juvenil e no comprometimento, talvez irreversível, de parcelas significativas da nova geração. Uma legião de desajustados, crescida à sombra do dogma da educação não-traumatizante, está mostrando a sua face antissocial. É preciso pôr o dedo na chaga e identificar a relação que existe entre o medo de punir e os seus efeitos antissociais".
Enfim, como dizem os "antigos", que o filho chore hoje para o pai não chorar amanhã. Até porque o amor exigente dos pais, além de estar totalmente de acordo com a lei, gera filhos obedientes e amorosos com os próprios pais, sem falar nos benefícios públicos de uma educação familiar rigorosa. É isso que nos ensina a experiência humana que, no direito civil, passa de 2.000 anos.
- Evandro Pelarin - 
Fonte: Facebook - Evandro Pelarin

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