quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A Mudança depende da Coragem

Na minha adolescência, eu trabalhava de boia fria ou diarista rural. Eu tinha dificuldades até para arrumar namoradas, e quanto a esse fato, alguém poderia até dizer: ah, isso porque você deveria ser muito feio. Não, eu não era feio, eu era bonito, mas o problema é que eu tinha uma única muda de roupa para trabalhar e outra única para passear. Obs.: nos bolsos das calças nunca havia um único centavo. O passear consistia ir a um baile num sábado à noite. Ora, mas como alguém arruma namorada se todos os sábados se apresenta com a mesma roupa. Ressalte-se, mesmo em meio a tanta simplicidade, uma roupa nova de vez em quando faz aflorar a beleza camuflada pelo constrangimento de tanta pobreza.
Eu e minha família comíamos carne apenas aos domingos, mas nalguns, a carne também não era possível. Num desses domingo, meu pai pediu-me para que fosse ao açougue buscar uma encomenda. Eu sabia do que se tratava e lá chegando, solicitei ao açougueiro para que me entregasse a encomenda. Ele se abaixou pegando-a sob o balcão e em seguida colocou-a sobre o mesmo. Naquele momento, o jornal que embrulhava a encomenda se rasgou, deixando aparecer a ponta de um osso. Um fazendeiro (pecuarista) testemunhou o ocorrido e perguntou: na sua casa tem muitos cachorros? De pronto, meu coração ficou amargurado e pensei até em ser descortês, mas, refleti e respondi: lá em casa somos em cinco.
Na minha casa, meu pai garimpou algumas farpas de carne, ainda incrustadas nos ossos, e numa panela grande adicionou mandioca fazendo um belo de um ensopado. Não tínhamos o costume de nos sentarmos à mesa para as refeições, diga-se de passagem, até compreensível se levar em conta a ausência de abundância, no entanto, naquele dia nos sentamos. Eu aproveitei para contar o ocorrido no açougue e quando falei que éramos em cinco cachorros começamos um, au! au! au! E rimos muito por isso.
Pois bem, já se passaram mais de quarenta anos e nós ainda somos pobres, porém, milionários se comparados à época de minha adolescência. A condição de vida que temos hoje se deve ao sacrifício nosso, pois se dependesse dos governos, nós continuaríamos a pegar aquela encomenda embrulhada no jornal do açougue. Destarte, milhares de chefes de famílias vivem na mesma condição que eu vivia no passado, no entanto, hoje, não mais recebem pacote de osso no açougue, esse foi substituído pelo Bolsa Família.
Infelizmente, por medo de perder votos, todos os candidatos à presidência, não hesitam em afirmar que darão continuidade ao Bolsa Família. Isso ocorre por insegurança quanto ao resultado final das eleições. Por fim, no meu sentir, o candidato ideal a melhoria da qualidade de vida dos mais pobres afirmaria de forma segura: "o meu governo finalizará o Bolsa Família e a substituirá por um programa de emprego e renda". E a vida segue com suporte na esperança de que um dia possa haver "Igualdade de Oportunidade" a todos os brasileiros.
Copie o link abaixo e cole no seu Browser.

https://www.facebook.com/video.php?v=368037490021703&fref=nf

Nenhum comentário: