segunda-feira, 28 de julho de 2014

Big hug all motorcyclists in the world

No ano de 1976, eu tirei minha primeira habilitação, e mais, eu não era motorista. O curso foi feito pela moto-escola do 2º Batalhão de Policiamento de Trânsito - São Paulo - Capital. Paralelamente, eu fiz o Curso de Pilotagem com Segurança para Motocicletas - Secção Honda - Brasil. Instrutores: Sargentos Jabur e De Paula.
Num certo dia, eu me encontrava de serviço (policiamento) na Praça da Liberdade - Bairro Liberdade - São Paulo - quando o Comandante passou ordem via rádio para que eu escoltasse uma Esquadra (oito ônibus) da marinha do Japão. Com habilitação recente faltava-me experiência e ao mesmo tempo o quanto eu conhecia São Paulo, a meu ver não me permitiria fazer o trajeto sozinho - Avenida Paulista até a Rodovia dos Imigrantes. Orientação recebida: quando chegar na estação da árvore (metrô) entrar a esquerda, pois, automaticamente, alcança a Imigrantes.
Detalhe: quando numa escolta sozinho, o motociclista combina com os motoristas: eu vou à frente e interdito o trânsito da via transversal (no primeiro cruzamento) e assim que passar o primeiro ônibus, eu me desloco para o próximo cruzamento, por isso os ônibus devem se manter próximos uns dos outros até ao final do trajeto.
Na praça da árvore, eu entrei a esquerda e fui seguido pelos oito ônibus, mas onde estaria a Imigrantes? Obs.: isso por volta das 19h30m e nós já estávamos numa rua de terra, ou seja, sem asfalto. Havia uma descida e na sequência uma subida, eu olhava lá do alto eu via os faróis dos oito ônibus lotadinhos de japoneses, esses pernoitariam na cidade de Santos.
No lugar, onde nos encontrávamos não havia placas orientando ou indicando nada e eu seguia pela intuição até que mais a frente chegamos num cruzamento de avenidas, no entanto, com pouquíssimos veículos passando. Eu notei que o primeiro ônibus fazia sinal de luz. Eu parei e o aguardei e um após o outro, os ônibus estacionaram ali na escuridão. O motorista do primeiro ônibus chegou e disse: seu guarda fique tranquilo daqui para frente eu conheço o caminho.
Os japoneses não falavam português e eu não falava japonês, mas por sorte alguém estava de intérprete e se aproximou informando que os japoneses queriam me deixar uma lembrança. Eu fiquei sem jeito, pois para mim o certo era não receber presente de ninguém, entretanto, como ninguém havia cometido crime e eu não aplicava a lei aceitei, e óbvio, abri para ver o presente, esse um pacote de cigarros japoneses. Eu, infelizmente ainda era fumante. Isto feito, o Comandante dos militares japoneses estendeu a mão se despedindo e agradecendo. Eu testemunhei os oito ônibus indo embora e fiquei agradecendo DEUS, pois pelo jeito os japoneses conseguiriam chegar em Santos.
Em tempo: eu me encontrava com a garganta inflamada e deveria estar com mais ou menos 38º de febre. Obs.: chegando no quartel, eu fechei o talão indicando que o serviço transcorrera sem novidades e em seguida experimentei um cigarro. Amigos, sinceramente, eu não sei qual foi pior, o cigarro ou a minha experiência da primeira escolta. "E tudo continuou como dantes no quartel do Abranches".
Grande abraço a todos os motociclistas.
Essa foto foi tirada na rua Maestro Cardim nº 452- Bairro Paraíso - São Paulo - julho de 1977 - Eu já sabia da minha transferência para o 2ºBPFM, hoje 2º BPamb. 

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