segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Aquicultura: Cada vez mais comuns, peixes de cativeiro trazem riscos ambientais e à saúde

peixes de cativeiro
                                 Flickr/Creative Commons
Você pode nem perceber quando vai ao supermercado ou à peixaria, mas pouco a pouco os peixes de cativeiro estão substituindo os pescados. O alerta foi dado pela FAO, a Organização para a Alimentação e a Agricultura: em 2012, metade dos peixes consumidos no mundo já não eram mais pescados naturalmente nos mares e oceanos. A tendência é de que muito em breve, os peixes de aquicultura sejam a maioria nos nossos pratos.
Se por um lado, o cultivo artificial ajuda a amenizar a escassez alimentar nos países pobres e diminui a pressão sobre a pesca excessiva, por outro os abusos das criações em cativeiro são frequentes e dos mais diversos. Eles recebem uma alimentação gordurosa e uma carga pesada de antibióticos, que depois vão parar no homem. Além disso, o controle sobre os peixes em cativeiro nem sempre é eficaz, e muitos deles escapam e se misturam aos peixes selvagens, o que pode provocar mutações.
Piero Sardo, presidente da Fundação Slow Food para a Biodiversidade, observa que apenas a diminuição da demanda poderá frear estas práticas. “A questão da aquicultura de má qualidade é mundial. Há países onde a criação é feita sob condições ambientais e animais terríveis. Eles comem óleos, animais inadequados, carcaças de animais”, relata. “Mas também a boa aqüicultura, a orgânica, não é sustentável a longo prazo. É preciso fazer apenas pequenas culturas orgânicas e permitir a pesca em pequena escala, além de incentivar um menor consumo de peixe pela população. Porém o que acontece é o contrário, e a demanda aumenta todos os dias. É um problema dramático.”
E para aqueles que adoram comer sushi várias vezes por semana, um alerta: o salmão é o caso mais emblemático de peixe criado em cativeiro onde todos os limites ambientais estão sendo ultrapassados. Nos Estados Unidos, até o salmão transgênico está prestes a ser liberado. Sardo destaca que a queda brusca dos preços deste peixe nos últimos anos tem uma causa bem preocupante: a baixa qualidade da alimentação e da cultura do salmão em cativeiro.
Eu me lembro quando eu era jovem, há 40 anos, o salmão era um dos alimentos mais caros do mercado. Não dava para comer. Hoje eles custam menos do que sardinha. A aqüicultura provocou casos como o Chile, que está matando o mar para criar salmão”, destaca/
Afinal, como fazer na hora de escolher um peixe? A tarefa é nada fácil. O melhor é sempre preferir o peixe fresco ao congelado e procurar saber a origem do produto. No caso do salmão, por exemplo, os que ainda têm qualidade garantida vêm do Alasca. Sardo destaca que o consumidor acaba refém de uma cadeia de comércio cada vez mais internacional e complexa. “Hoje ele não tem a possibilidade de escolher. Ou ele é um cientista, um especialista, ou ele não tem a possibilidade de escolher.”
Na semana passada, a Marine e a Aquaculture Stewardship Council, líderes mundiais em certificação de qualidade de alimentos do mar, anunciaram uma parceria com o comitê organizador dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro: todos os peixes servidos aos atletas, aos jornalistas e nos restaurantes oficiais das Olimpíadas serão certificados. Isso significa que mais de 14 milhões de refeições, servidas nos 27 dias do evento, estarão de acordo com as normas internacionais de pesca e aquicultura.
Matéria de Lúcia Müzell, da RFI, reproduzida pelo EcoDebate, 13/12/2013


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