quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quando o povo acordar...

Professor Manoel Antunes
ex-prefeito de São José do Rio Preto
Brasileiros, não podemos continuar deitados eternamente em berço esplêndido. Urge acordar, abrir bem os olhos, prestar atenção e ver que a maioria dos nossos representantes no Congresso Nacional duvidam da nossa inteligência e agem levianamente. Legislam em causa própria. Seus discursos vazios de conteúdo só têm perfumaria. Logo, não podemos esperar nada de bom e muito menos leis moralizantes por parte desses mercenários. Esses políticos perderão o sono no dia em que o povo acordar! Mais quatro anos se passaram e o projeto da reforma política voltou para as gavetas fétidas do Congresso Nacional de onde aliás, emana toda a lama da corrupção que inunda o nosso território! O ano que vem, durante a campanha eleitoral, os veremos prometendo a reforma política e muitos acreditarão! Os conhecidos caras de pau e chicaneiros da reforma prometerão tudo, inclusive “leite encanado” e de graça. O modelo político que aí está, tem de ser revisto para quebrar os paradigmas da indignação geral, caracterizado ainda como a prática do benefício para poucos, ao invés do atendimento para a sociedade como um todo. Estão preocupados somente com as vantagens do poder. A eles não importa que os seus atos sejam ou não morais. Vale tudo, desde que atinjam os seus objetivos espúrios. Traem o povo, assaltam e denigrem a nação porque nós brasileiros, continuamos à espera de um Hobin Hood quando deveríamos agir e exigir reformas! Diante do quadro sombrio que aí está, sem perda de tempo, temos de sair às ruas como fizeram os jovens nas manifestações de junho de forma ordeira, sem quebra quebra, sem máscaras e mostrando o rosto para que os políticos saibam quem somos e o que queremos. Não podemos continuar a mercê de oportunistas. Não podemos mais estacionar e sim caminhar juntos subsidiando uns aos outros com energia cívica para mudar a cara do Brasil.
Temos de acabar com essa vergonha. Temos de reformar a Constituição, acrescentando outros mecanismos de democracia direta, além dos já previstos no art. 14 (plebiscito, referendo e iniciativa popular). O mandato revocatório (recall) é uma das alternativas, que coloca o povo como principal protagonista da vida pública e não mero coadjuvante. Se a opinião pública não se manifestar a democracia não passa de uma simples carta de intenção. Os congressistas têm de ouvir, sentir os anseios e viver a realidade do povo para que possam exercer seus mandatos com dignidade, patriotismo, dinamismo e liderança! Ultimamente temos votado por exclusão e não por convicção. Não temos líderes e sim um bando de gaivotas buscando fatias do poder. O povo teria de se espelhar em dirigentes capazes e idealistas, assim como os filhos deveriam espelhar-se numa família bem estruturada. No Brasil os ídolos da maioria do povo estão no futebol, cinema e TV. Até quando os políticos brasileiros vão ser regozijar por serem moralmente pequenos, mesquinhos, mentirosos e dissimulados? A moral, a reputação e os bons costumes não são relevantes para eles?
Querem que tudo continue do jeito que está. Preferem roubar o povo! “Ladrão” para essa cambada que infelicita a nação é apenas mais um adjetivo a lhes exornar a fronte. Quando da promulgação da nossa Lei Magna em 1988 Ulisses Guimarães com toda sua experiência disse: “Esta não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora. Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados. É caminhando que se abrem os caminhos. Será redentor o caminho que penetrar nos bolsões sujos, escuros e ignorados da miséria”. Naquele momento jamais poderia lhe passar pela cabeça, que decorridos 25 anos, a maioria dos políticos supervenientes quer apagar a lamparina para que ninguém veja as canalhices que praticam. Com remendos aqui e acolá, jogam para a plateia, enfeitam o pavão, douram a pílula e depois dão uma sonora gargalhada. Diante dessa triste realidade, é preciso a união de todos para elaborarmos as reformas estruturais necessárias que farão do Brasil um país decente.
Publicação autorizada pelo autor: Professor Manoel Antunes
Obs.: também publicado no Diarioweb

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