terça-feira, 17 de abril de 2012

Educar nossas crianças, adianta?

A educação ambiental poderia ser aplicada a toda sociedade, mas principalmente, àqueles que cumprem administrar para essa mesma sociedade, pois assim, não correríamos o risco da incoerência. Senão, vejamos:
a) de que adianta falar às crianças que a lei proíbe o lançamento de esgoto “in natura” nos cursos d’água, quando isso ocorre, ao mesmo tempo, em milhares de cidades brasileiras;
b) de que adianta falar as crianças de que a lei proíbe a supressão da vegetação nas áreas de preservação permanente, quando isso ocorre, ao mesmo tempo, em inúmeras áreas, às vezes, com a conivência da própria autoridade;
c) de que adianta falar as crianças de que a lei proíbe a captura de peixes nos períodos de defeso, quando isso ocorre, ao mesmo tempo, em centenas de rios brasileiros;
d) de que adianta falar as crianças de que a lei proíbe manter em cativeiro os animais silvestres, quando na casa delas, os próprios pais, os mantêm;
e) de que adianta falar as crianças de que a lei proíbe as queimadas, quando uma outra lei permite aos usineiros a queima da palha, mesmo sabendo que isso traz prejuízos a saúde humana;
f) de que adianta falar às crianças que é proibido fabricar, vender e soltar balão, se todos os anos assistimos as reportagens sobre os balões suntuosos que cortam os céus da capital paulista;
g) de que adianta falar as crianças sobre a importância da mata atlântica, quando no litoral há expansão dos empreendimentos imobiliários e que a maioria de nós gostaria de adquirir um chalé e, muitas das vezes, apenas para manter “status”;
h) de que adianta falar as crianças sobre a necessidade do uso racional de água, quando não abrimos mão de uma piscina bem cheia para nos refrescar nas tardes de verão, ou então quando permitimos que sejam instalados pelo Brasil afora centenas de Thermas, onde milhões e milhões de metros cúbicos de água são necessários para atender a demanda do lazer, daqueles que podem pagar;
i) de que adianta falar as crianças sobre a importância da agricultura familiar, quando vemos a expansão da monocultura, principalmente da cana de açúcar e que leva de roldão os recursos hídricos. Em tempo: aqui no noroeste do estado de São Paulo a água já não é mais um bem comum, obviamente, porque tem dono em decorrência das outorgas;
j) de que adianta falar as crianças sobre a importância da casa própria, quando os efeitos da monocultura, desemprega os chefes de famílias conduzindo-os para a margem da sociedade, onde por força das circunstâncias se veem obrigados a morar em favelas;
k) de que adianta falar as crianças sobre o possível malefício dos transgênicos, quando na verdade, o poder maior (multinacional) fez, influenciou, forçou e o implantou, e mais, na hipótese de danos, provavelmente, ao povo caberá o custo da correção;
l) de que adianta as crianças ouvirem dos candidatos, a vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente da república, de que na sua gestão o meio ambiente será prioridade, quando na verdade, é quase tudo propaganda enganosa;
Concluindo: na minha opinião, todos são culpados, alguns em grau maior, pois exercem função precípua e específica, outros em grau menor, pois a eles cumpriria apenas o exercício de cidadania, no entanto, não conseguem, visto terem sido vítimas do sistema, ou seja, foram excluídos do privilégio da educação.
Com absoluta certeza afirmo: sempre será importante falar as crianças, pois um dia nós também fomos, mas infelizmente, na nossa época, não havia essa preocupação.
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