quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Eu Sabotador de Mim?


Artigo de Américo Canhoto 
Publicado em outubro 6, 2011 por HC
Tags: reflexão
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Somos seres sociais. Vivemos num mundo de influências recíprocas. Nunca estamos sós. Em momento algum. Mil olhos nos vigiam. Mil ouvidos capturam nossa fala. Estamos conectados, irremediavelmente; mesmo que não percebamos ou que não acreditemos. 
Ao pensarmos em alguém nosso pensamento já o está influenciando. E quando pensamos em nós mesmos? Influenciamos quem? 
Vivemos mais preocupados com o mal que os outros possam nos fazer do que com o bem que nos fazem. 
Fomos treinados pela cultura a lutar contra o que está fora de nós e tentamos mudar o mundo e as pessoas para nosso conforto; ignorando que o grande adversário mora dentro de nós. 
Nosso grande inimigo é o medo que gera todo tipo de conflitos. 
Medo dos outros: 
Mesmo dizendo o contrário, cada um do seu jeito, temos medo de sermos criticados e de como somos vistos. E, pelo injustificável receio das opiniões alheias deixamos de ser felizes para estarmos sob tormentos voluntários como moda, padrões e sistemas de crenças onde o sofrer traz benefícios e vantagens para a vítima.
Para camuflar as dúvidas nos tornamos críticos mordazes dos outros num processo de transferência de valores íntimos. 
O mais grave é que fazemos isso com nós mesmos. 
Somos nossos mais temíveis inimigos e algozes. 
Para evitar a sabotagem aos nossos sonhos e desejos é preciso desenvolver auto – consciência de que somos merecedores do melhor que a vida oferece. 
Adquirir consciência é despertar para resolver as próprias dúvidas compreendendo as responsabilidades íntimas e coletivas.
Ao adquirirmos consciência de nós mesmos descobrimos que somos complicados. Que temos problemas a resolver que não acabam mais. 
É preciso, identificá-los um a um, e isolá-los, para que possamos determinar qual a melhor maneira de cuidarmos deles. 
O que rotulamos de problemas, são como feridas.
Feridos em alguma parte do corpo, podemos ter com relação ao ferimento dois tipos de atitudes: deixar que o tempo se encarregue da cura ou proceder a um curativo imediato para a reparação dos tecidos lesados. 
A necessidade de cada um cuidar dos próprios problemas é indiscutível, e não pode ser adiada, deve fazer parte das propostas diárias de todo aquele que já despertou para a consciência de si, não se permitindo cultivar conflitos mal resolvidos ou feridas da alma. 
O auto – descobrimento deve ter como finalidade o bem-estar. 
Mas, para começar há pré-requisitos: 
Insatisfação pelo que se é, se possui ou como nos encontramos; desejo sincero de mudança. Persistência; disposição para aceitar-se e vencer; capacidade para desenvolver mais maturidade emocional. 
Devemos estar insatisfeitos sempre: A insatisfação é a mola mestra da evolução do ser humano. Só progredimos quando estamos insatisfeitos. 
Há dois tipos ou duas polaridades de insatisfação: a positiva e a negativa.
Na primeira tudo que já foi conquistado é valorizado; na segunda não se valoriza o que se tem, até que se perca; e vive-se descontente. 
Para buscarmos continuamente o bem-estar é preciso positivar a insatisfação.
A polaridade oposta da insatisfação é : Acomodação. 
A falta de maturidade condizente com nosso momento, nos faz buscar a segurança estática, afetiva, emocional, profissional, financeira. 
Daí; sempre que conseguimos uma certa tranqüilidade tendemos a parar por aí, evitando riscos – e ao evitar riscos nos sabotamos. 
Caímos no mesmismo, fazendo as coisas de forma rotineira e previsível. 
Passamos a violar nossos próprios códigos de conduta, aceitamos situações exteriores desgastantes; e logo, estamos insatisfeitos, negativamente.
O caminho para atingir o equilíbrio entre a insatisfação e a acomodação é: Questionamento. 
Devemos questionar sempre nossas posições. Mesmo quando tudo pareça bem; principalmente quando tivermos certeza absoluta. 
Levar o pensamento sobre auto- avaliações positivas para o campo da dúvida é saudável e positivo. 
Quando nos questionamos sobre nossas supostas qualidades: “Será que…?” criamos incerteza saudável e abrimos as portas para mudanças. 
Para que abramos as portas a novos desafios é preciso: Aceitação de nós mesmos. 
Nada a ver com acomodação. Aceitar as coisas como são no momento facilita a vida, pois cria uma predisposição para buscar soluções de forma mais racional. 
Aceitar não quer dizer ficar estático. 
É dar o primeiro passo para reagir e procurar soluções e saídas para o que nos perturba. 
A atitude de não aceitar é uma forma de criar sofrimento. 
E sofrer, é uma escolha como outra qualquer, às vezes, até, é apenas um tipo de interpretação. 
Quem começa a se conhecer já sabe: Não devemos buscar culpados externos. 
Somos as matrizes das nossas dificuldades. 
As situações, os acontecimentos e as outras pessoas são apenas ferramentas naturais que atraímos para o nosso aperfeiçoamento – como também o somos para os outros. 
Quando a consciência começa a se ampliar, perdemos o medo; nos enchemos de coragem e surge o desejo sincero de Mudança. 
Esse ponto torna-se um marco; é como um renascer do indivíduo. 
Permite uma tranqüila avaliação de quem nós somos, e de como estamos buscando os meios que nos tornem melhores no momento. 
Querer verdadeiramente mudar permite que separemos dentre os nossos valores aquilo que importa daquilo que é secundário; ou não nos pertence. É como se a partir desse momento do pensar com lucidez, nos recriássemos de forma clara. 
O segredo está no pensamento. 
Mas antes de começar a tentar pensar de forma mais criativa e amorosa; recorde que: Há duas formas básicas de pensar. 
Há os pensamentos conscientes, investigadores, que se formam quando observamos, analisamos, comparamos. 
E os já padronizados, fixados no inconsciente, e, nos quais depositamos nossa fé; esse, é o nosso sistema de crenças. 
É preciso agregar as conclusões dos pensamentos especulativos que hoje percebemos como verdadeiros e interessantes, confrontando-os com os já padronizados para reciclá-los, atualizá-los. 
Dessa forma, a coragem de reivindicar nosso direito de ser feliz; substituirá o medo de não merecer o privilégio da felicidade; e trará consigo a paz nascida do esforço e da conquista; que reinará dentro de nós e em torno de nós; para sempre. 
Namastê 
Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Usa a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico 

EcoDebate, 06/10/2011

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