sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Marujo Triste


O sol a pino,
À frente não há horizonte,
O vento a boreste impulsiona
Ondas revoltas. 
Ondas que se fragmentam na proa
 Pulverizam a face morena
De minha imaginação. 
A saudade produz miragem.
A ilusão projeta a imagem,
De um amor impossível. 
Amor que me tortura e traz amargura.
De noite, de dia, com sol ou chuva, calor ou frio.
Em alto mar ou no próprio cais. 
O vento lufando as velas, me faz lembrar,
Do dia em que a vi pela primeira vez
E a amei como jamais. 
Todavia, desapareceu tal qual a cerração,
Que ofusca a luz do farol,
Sol, sal e farol, areia, espumas e arrebentação. 
Gaivotas se aproximam alegres e instigantes,
O mastro mestre em riste testemunhando,
A vida desse marujo triste. 
Apenas o mar me acaricia e afaga,
Mas, caso a encontre, juntos a um porto seguro,
Quem sabe, talvez, possamos ficar de vez.

São José do Rio Preto, 18 de janeiro de 2.005

Jorge Gerônimo Hipólito


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