terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cartinhas de Natal


Pelo quinto ano consecutivo, o Diário publica em suas páginas as cartinhas de Natal escritas por crianças acostumadas a enfrentar privações diárias, mas que sonham com um novo ano mais feliz. São pequenas histórias de vida de meninos e meninas que nem sempre têm o que comer e vestir, mas guardam no coração a esperança de uma vida melhor e mais digna.  Leia mais...
Opinião do Blog.
Tempos atrás, meninos se encontravam num cruzamento importante de uma cidade também importante. Apenas para ressaltar, essa cidade tem shoppings, faculdades, hospitais, condomínios fechados, distritos industriais e grandes avenidas por onde também desfilam milhares de carrões de luxo etc. Quando o semáforo ficava vermelho, os meninos corriam junto aos veículos e tentavam falar com os motoristas. Alguns respondiam, eu não tenho trocados, outros garimpavam algumas moedinhas no porta-treco, mas havia aqueles que permaneciam letárgicos atrás do insulfilme. Curioso é que esse insulfilme também cobre outras janelas. Atrás dessas janelas, se encontram outros letárgicos, esses, alguns, no período que antecede as eleições recorrem inclusive aos pais desses meninos dos cruzamentos. A eles, os letárgicos estendem as mãos e assumem compromisso de lutar no sentido de propiciar melhor qualidade de vida. Infelizmente e ao longo do tempo permanecem as propostas dos letárgicos, a esperança dos pais, bem como o sonho dos meninos. Certa vez, aos meus cinco anos de idade ouvi de minha mãe: vai dormir mais cedo porque o Papai Noel vai passar essa noite e, talvez, ele lhe traga um presente. Demorei para dormir, mas quando acordei, lembrei-me do presente; estendi o braço para debaixo da cama, onde havia deixado uma caixa com capim que seria para o cavalo do Papai Noel – foi uma sensação espetacular, pois até hoje quando ouço o barulho de papel amassando, vem a minha mente o presente, esse, um pandeiro de brinquedo. Eu não tenho dúvidas de que o meu Papai Noel preferiria presentear com um pandeiro de verdade. Concluindo, não há o que fazer, vez que os tataravôs desses meninos viveram a mesma realidade quando meninos - isso é coisa de pai para filho, a não ser que os letárgicos consigam se transformar no antônimo da denominação.

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