terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ataque das Piranhas




As pessoas vêm a muito sendo atacadas por piranhas nas prainhas de Ubarana e Adolfo, as justificativas são várias e sobre isso vou discorrer consciente de que estarei contrariando alguns biólogos.

Os córregos Fartura e Jacaré se ajuntam e na medida em que seguem adiante banham as prainhas de Ubarana e Adolfo; depois se misturam com o córrego Palmital faz uma curva a esquerda para então avolumar o grande Tietê. Saibam que nos primeiros anos da década de setenta, todos esses cursos d’água eram classificados como ecossistemas lóticos e ali viviam lambaris, piaus, piaparas, dourados, traíras, pintados, jaus e caranhas. As suas margens eram compostas de matas ciliares, onde viviam as canelinhas, tarumãs, figueiras, jenipapeiros e ingás, bem como as capivaras, pacas, cotias, macacos, sucuris e jacarés.

Infelizmente, o desenvolvimento insustentável obrigou o homem a buscar alternativa para a geração de energia elétrica, o que fez surgir às barragens e as usinas hidrelétricas. Esses empreendimentos melhoraram a condição social, hoje, as famílias se vêem impulsionadas a desfrutar do direito ao lazer. Por conta disso as prainhas ficam lotadas nos feriados e finais de semana. Reportagem de televisão afirma que a culpa pode ser da pesca predatória.

Na minha opinião, o pescador é tão vítima quanto a peixe, ou seja, a não observância da legislação ambiental provocou o desequilíbrio entre as espécies. Por exemplo, peixes de águas lóticas (rios) enfrentam dificuldades para desovarem em águas lênticas (represas), no entanto, a piranha se adapta e passa a predominar nos ambientes, provavelmente, por causa da voracidade.

Como resolver? Alguém responderia: acabar com as piranhas. Não! A solução está em revitalizar o ecossistema (se ainda for possível) possibilitando a multiplicação das espécies animais e vegetais e de preferência nos tributários, uma vez que a maioria deles ainda mantém águas lóticas, principalmente, quando se aproxima das nascentes. A revitalização dos tributários consiste em recuperar as matas ciliares, uma vez que elas abrigam nossos animais silvestres entre eles, os jacarés. Esses se constituem nos principais predadores das piranhas.
Concluindo, atentemos para a legislação ambiental, pois se trata da principal ferramenta capaz de propiciar o equilíbrio na cadeia alimentar. Os pescadores não são culpados, as piranhas também não.

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