segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O BRASIL, O SISTEMA E OS BANCOS

Numa manhã de qualquer dia útil, me dirijo ao banco com a intenção de efetuar um depósito. Na medida em que adentro a agência vejo inúmeros caixas eletrônicos, esses que compõe o auto-atendimento. Bem, mas considerando minhas particularidades prevejo que o melhor para mim será efetuar o depósito no caixa convencional. Entretanto, quando me aproximo da porta giratória sou interceptado por funcionário que me indaga:

O senhor precisa de ajuda?

Respondo: não está tudo bem.

O funcionário Insiste e eu respondo que preciso efetuar um deposito.

Ele indaga sobre o montante: seria mais de R$ 3.000,00 ou seria menos?

Respondo: evidentemente, menos, muito menos.

O funcionário ressalta que nesse caso o depósito só poderá ser feito no auto-atendimento. Respondo a ele que necessito que seja feito direto no caixa e ele alerta de que lá dentro não conseguirei fazê-lo. Respondo: eu sinto muito.

Eu passo pela porta giratória e me aproximo de uma fila de apenas dez pessoas, assim, logo chega a minha vez. Cumprimento o caixa, esse conhecido de longa data e peço desculpas por não ter feito o depósito lá no auto-atendimento. O funcionário responde para que eu compreenda, uma vez que eles obedecem a ordens da gerência. O meu depósito é feito e eu pergunto, onde fica a gerência? De pronto recebo a indicação de com quem devo falar. Dirijo-me até lá e aguardo ser atendido o que não demora.

A pessoa (gerente) olha para mim e diz: pois não!

Eu preferiria que dissesse: pois sim!

Eu a cumprimento com um olá do qual recebo resposta. Em seguida apresento o meu descontentamento com relação ao atendimento, pois não consigo me conformar com a hipótese de não poder entrar no “meu banco”, onde guardo meu minguado salário e que sem sombra de dúvidas se torna incoerente frente às altas tarifas, essas, legalmente autorizadas.

A pessoa da gerência olha para mim e diz: senhor, por favor, compreenda que essas são as novas diretrizes do banco, na verdade estamos nos esforçando para cada vez mais melhorar o atendimento.

Eu digo a ela: se eu fosse dono de um banco adotaria comportamento diferenciado o que provocaria a migração dos seus clientes para o meu banco. Sabes por quê? Porque apesar dessa tão famigerada globalização imprescindível lembrar que quando pessoas depositam dinheiro nos bancos, elas depositam sonhos e esperança. Alguns conseguirão outros não, mas junto com esses sonhos vem à amizade dos clientes com os funcionários que ali no dia-a-dia trocam figurinhas e até contribuem para a manutenção da fidelidade, ou seja, às vezes clientes permanecem a vida inteira com o mesmo banco e isso decorre da concretização da amizade. Nós, os clientes, e mais os donos dos bancos e seus funcionários não podemos esquecer de que somos pessoas humanas e não máquinas. A vida vem perdendo o sentido e a continuar assim, no futuro perceberemos que a moeda substituiu não apenas a amizade, mas também a confiança nos relacionamentos comerciais.

Ao sair do banco, eu me via como sendo um homem triste, constrangido, explorado e pior, consciente de que o meu exercício de cidadania não tem valor algum se comparado ao valor predominante dos bancos e dos banqueiros. Os banqueiros instalados no Brasil se sentem como o garimpeiro ao encontrar o verdadeiro veio de ouro, ou seja, cada centavo de real ao ser depositado num banco corresponde a mais uma pepita. As minas de ouro das Minas Gerais ou as minas lá do velho oeste perderam de longe, muito longe. Os banqueiros garimpam na jazida que se chama Brasil.

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