domingo, 9 de agosto de 2009

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Estado de São Paulo – Educador (Policial Militar Ambiental) caminha pelo corredor de escola pública (periferia) em direção a terceira sala à esquerda, onde 40 alunos de sétima série aguardam para a já prevista palestra. Ao se aproximar aumenta o burburinho, diga-se de passagem, normal, se levar em conta o comportamento dos adolescentes.
Obs. 1ª - 40 alunos?
Na sala de aula a professora se levanta e apresenta o educador aos alunos. Esses se agitam, talvez, em face do fardamento. Na apresentação, o policial esclarece aos alunos o que o trás até eles e que o objetivo é a busca pela conscientização e relevância da vida no contexto meio ambiente. Durante a palestra são abordados os seguintes assuntos:

- reciclagem de lixo (papéis, metais, plásticos, isopores, vidros e madeiras).
- arborização urbana (espécies, tamanhos, podas, sementes e mudas).
- água (utilização, desperdício, captação subterrânea e pluvial).
- fauna - animais silvestres (caça, comércio, cativeiro e rinhas).
- flora – (desmatamentos, áreas de preservação, reserva legal e mananciais).
- pesca: amadora e profissional – (apetrechos e locais permitidos e proibidos).

Finda a palestra com perguntas e respostas, o educador admite não ser regra, mas fica perceptível que a maioria dos alunos tem conhecimento, esses, advindos de cultura adquirida, ou seja, os avós e os pais mantêm os mesmo costumes conforme segue:

- não selecionam lixo reciclável.

- executam podas agressivas nas árvores das calçadas e isso decorre da não observância e da falta de orientação de quem de direito quando da escolha da espécie apropriada para o local (árvore de porte grande debaixo da rede elétrica).

- lavam o carro na calçada ou no fundo do quintal para assim ocultar de uma possível fiscalização; lavam o quintal com água limpa e não se preocupam com a reutilização; não há preocupação em aproveitar as águas das chuvas ou se preocupam, no entanto, não tem recursos para bancar a adaptação.

- muitos já experimentaram carne de animais silvestres do tipo: capivaras, codornas, inhambus, perdizes, jacarés, veados, teiús e tatus.

Obs. 2ª – há preocupação do governo no sentido de que toda a carne consumida tenha a inspeção do SIF, nesse sentido a caça poderia ser proibida não apenas por causa dos animais em extinção, mas sim pelo fato de que, ao se consumir não se tem certeza da sua condição sanitária, isto é, poderia por em risco a saúde das pessoas.

- muitos dos alunos (pais) mantêm passarinhos em gaiolas, alguns por causa do canto enquanto outros pela beleza ou para gerar lucros (comércio) e o pior é que sabem da proibição.

- a rinha entre canários e também com galináceos é constante, ou seja, faz parte da herança cultural.

- desmatamentos, a maioria dos alunos de escola pública pertence à classe denominada trabalhadora e raramente alguns são filhos de proprietários rurais, mas, discutem o fato de não haver respeito, principalmente, pelas áreas de preservação permanente, aquelas que protegem os lençóis freáticos, as nascentes, os rios, os peixes etc.

- pesca amadora: muitos alunos comentam sobre a prática da pesca com redes, tarrafas e espinhéis e afirmam que fica fácil capturar maior quantidade de peixes o que leva a acreditar que nessas circunstâncias a pesca não ocorre por esporte, mas sim por necessidade.

- pesca profissional: alguns dos alunos são filhos de pescadores profissionais e o que se percebe é que o céu é o limite, pois, na medida em que se reduz a quantidade de peixes capturados, automaticamente, se reduz o tamanho das malhas das redes e, assim, sucessivamente, no sentido de se manter a renda;

Obs. 3ª os tanques-redes poderiam se tornar alternativa de renda e, assim, poupar as espécies nativas possibilitando o aumento da fauna ictiológica.

Concluindo, importante reforçar que no geral o comportamento da sociedade se mantém, uma vez que a lei não consegue provocar o efeito educativo. “A lei, a todos deveria atingir, ou seja, na pirâmide social nenhum segmento poderia ser privilegiado”. Assim que se cumpra a lei em todas as etapas e que o meio ambiente possa ser revitalizado e preservado, pois todos seriam beneficiados.

2 comentários:

Túlio César Alves de Oliveira disse...

Penso que apesar da lamentável constatação do artigo,ainda é possível se extrair um relativo conforto paradigmático. Então vejamos nosso atual código penal, instituido para coibir o cometimento de crimes contra os costumes, a vida, o patrimônio, enfim para exercer nos limites da lei um papel relevante estabelecido no "contrato social". Todavia o que se constata na prática após longos anos de edição desse diploma legal?. Os crimes crescem proporcionalmente ao crescimento das cidades e aí não faltam teorias sociológicas para justificar o fato social. Em relação a Legislação Ambiental não poderia ser muito diferente, é preciso levar em conta o fato de encontrar-se cronologicamente na condição de direito de terceira geração, algo recente em nossa sociedade, essa fincada em valores culturais baseados na livre exploração dos recursos naturais, que nada mais é do que a própria história do Brasil nos idos primórdios de colônia.Essa terra canária, nação ainda jovem, copiou praticamente toda sua legislação de outros paises mais antigos, e quando a Lei não casa bem com a cultura estabelecida é normal que ocorra um choque. Acredito que o Brasil encontrárá em breve o equilibrio necessário entre a lei e a educação de seu povo, pois, não dá para confiar só em uma ou em outra, tem que haver o equilibrio, se por um lado existe gente com fome, por outro tem gente querendo lucrar facilmente, por isso que a Educação (informação) tem que andar ombreado com leis fortes.

Jorge Gerônimo Hipólito disse...

“e quando a Lei não casa bem com a cultura estabelecida é normal que ocorra um choque”

Esse é o ponto, a sociedade está em desequilíbrio não apenas nas questões ambientais, aquelas que tratam dos recursos naturais, mas sim numa diversidade de questões, por exemplo, segurança pública, saúde, emprego e renda, habitação e a principal que seria a questão política, onde os representantes se encontram emaranhados. Na verdade, os elos defeituosos não permitem o desentrelaçamento, no entanto, no dia em que isso ocorrer muitos encontrarão a ética, a moral e a honradez.