sexta-feira, 19 de junho de 2009

O DIREITO PARA UM MUNDO NOVO

Eu não agüento mais, talvez já esteja no meu limite. Essa semana que passou, desvinculei-me de alguns grupos dos quais fazia parte. A minha decisão não foi por descrédito dos grupos, mesmo porque eles são conduzidos por gestores altamente capazes, mas, o que me motivou, ou o que me desanimou, foi sem sombra de dúvidas, a lambança que impera no campo do direito com relação à preservação da vida, isto é, todos sabem o que deve ser feito, no entanto, não se faz nada.

Na minha opinião, o Brasil é detentor de importantíssima legislação que, se cumprida fosse, certamente, a realidade socioambiental seria a ideal. Todos os dias, personalidades importantes no contexto, escrevem sobre os problemas e cuidados que devemos ter com relação ao meio ambiente. Assim, o tempo vai passando e nós consumindo todos os artigos.
Somos influenciados, nos manifestamos, sofremos e, nada acontece. Sinceramente, nenhum governo está disposto a impedir “desenvolvimento”, os discursos são apenas fachadas.

Por exemplo, o estado de São Paulo, conta hoje com aproximadamente, dois mil policiais ambientais, esses gerenciados, por um Comando de Policiamento Ambiental e mais quatro batalhões de polícia ambiental. O estado mais desenvolvido do país, não preservou a natureza, talvez, tenhamos em torno de 3% de reserva florestal, obviamente, incluindo as reservas de mata atlântica da faixa litorânea, parques, reservas biológicas e estações ecológicas.

Hoje, deveríamos direcionar esforços no sentido de recuperar, principalmente, a flora paulista, uma vez que se assim não for, as futuras gerações entenderão que todo o empenho e estrutura que existiu, foi em vão. Eu estou falando de São Paulo, não posso comentar sobre os outros estados da federação, pois não tenho conhecimento, mas posso perguntar, por exemplo, quantos policiais ambientais existem nos outros estados?
Desta feita, imaginemos: se em São Paulo não foi possível preservar, você acha que conseguirão preservar nas regiões norte, nordeste, centro e centro-oeste. Evidentemente, não! Não tem jeito, o dinheiro fala mais alto que a vida, mesmo que o prejuízo futuro seja auto provocado.
Concluindo, nossa legislação é excelente, mas o nosso sistema é desprezível.

Jorge Gerônimo Hipólito

Ambientalista, colaborador e articulista do EcoDebate

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