terça-feira, 19 de maio de 2009

Reiniciar a Caminhada

Às vezes ao elaborar cálculos matemáticos, nos perdemos e ficamos impedidos de avançar e, assim, alcançar o resultado correto. Nessas circunstâncias, melhor apagar tudo e com calma reiniciar. Pois bem, se trouxéssemos esse pensamento para a política que hoje se desenvolve, deveríamos também reiniciar, uma vez que do jeito que está não dá para continuar.
Algumas décadas atrás não havia o conforto de hoje, no entanto, o pouco que havia nos fazia feliz. Por exemplo, antes do êxodo rural, a maioria das pessoas residia na zona rural, onde havia trabalho (agricultura familiar). As famílias se iniciavam, cresciam e se constituíam pelo menos de bisavós, avós, pais irmãos, filhos, tios, primos, netos e bisnetos. Todos se conheciam, mantinham amizade e se tornavam compadres.
As crianças e adolescentes iam à escola lá na fazenda mesmo. A qualidade do ensino poderia ser classificada de excelente. Nossos jovens estudavam, trabalhavam no roçado, jogavam futebol e frequentavam a igreja, ou seja, havia até uma doutrina religiosa. Detalhes, naquela época não havia o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e não se ouvia falar de menor infrator. Havia sim alguns moleques briguentos ou aqueles que apostavam corridas a cavalo e até aqueles que apostavam para ver quem chegava primeiro lá na porteira. Às vezes nem se davam conta da possibilidade de se ter batido algum recorde de 100 m rasos.
Nos sábados à noite, o sanfoneiro rasgava a sanfona executando marchinhas, baião, xotes, valsas e rancheiras. Os corações dos jovens adolescentes aceleravam quando a moça mais bonita aceitava dançar com eles. Muitos eram tímidos, se apaixonavam, amavam muito, mas sentiam dificuldades em se declarar para a amada. Enquanto se dançava pouco se falava, muito se pensava e muito mais se sonhava. Dançar juntinho, meu Deus era a maior loucura, pois parece que havia influência feromônica. Entretanto, os pais estavam ali atentos e prontos para corrigir comportamento. Eu posso estar enganado, mas a tão sonhada liberdade, talvez tenha nos tirado todo aquele encanto. Por quê? Ora, porque até a liberdade tem de estar acompanhada de responsabilidade.
Concluindo, hoje, as crianças e adolescentes vivem numa outra dimensão e não sabemos se acima ou abaixo, porém sabemos que não podem mais trabalhar, estudar nem conta, uma vez que a progressão continuada aprova aqueles que não aprenderam. E quanto à religião? Bem, ainda existe, todavia, “percebe-se que entre os líderes religiosos, alguns se preocupam por demais em arrecadar fundos que possam dar suporte e, assim, manter os programas na televisão”.
Ah, mas e os nossos líderes políticos? Ah, deixe pra lá, pois as bandeiras que hasteiam nas campanhas eleitorais são arriadas depois de eleitos.

Ah, mas e o povo?
Povo!
Que povo?

Nenhum comentário: