segunda-feira, 27 de abril de 2009

REFUGIADOS AMBIENTAIS


O Portal EcoDebate publicou artigo " A agricultura local pode livrar o mundo da crise/entrevista com Michel Pimbert" constante do link de compartimento. Na minha opinião relevantíssimo, pois se trata de uma verdade verdadeira. Eu posso assim afirmar, pois, no início de minha vida, isto é, na minha infância participei de uma condição de vida, onde desenvolvíamos “Agricultura Local. Senão, vejamos.

Eu e minha família morávamos numa fazenda, onde desenvolvíamos a cafeicultura na condição de meeiros, ou seja, de todo o café que colhíamos 50% era nosso e os outros 50% do patrão. Na fazenda, não me recordo bem, mas acredito que empregava quinze famílias. Cada família ficava responsável por um talhão de café. Apenas para se ter idéia, cada homem era capaz de cuidar em média de 4.000 cafeeiros. Além do café colhíamos o feijão, esse, se plantava entre ruas do cafezal. As famílias tinham também o direito de plantar dois alqueires de arroz, às vezes entremeados com milho.

Cada casa contava com um grande quintal e nele se formava um belo pomar, onde se colhiam abacates, alfaces, almeirões, bananas, jacas, laranjas, limões, mandiocas, mexericas, pinhas, quiabos, repolhos, couves, tangerinas, etc. Nesse mesmo quintal se construía divisão, onde se desenvolvia suinocultura, ou seja, a cada seis meses em média a família podia abater um porco gordo. A carne era preparada e ficava em conserva durante bom tempo. Detalhe, não se comia carne todos os dias, talvez por isso possa parecer que na época a carne fosse mais saborosa.

A família também poderia manter nas pastagens da fazenda, uma ou duas vacas de leite e um ou dos eqüinos, esses, importantíssimos na lida diária. Afora isso se criava também as aves. Os mais esforçados criavam galinhas, galinhas da angola, patos e perus. Na fazenda havia escola, armazém de secos e molhados, igreja, coreto, barraca de festas e até campo de futebol e bocha.
As crianças aprendiam a nadar e pescavam no córrego. Às vezes, uma fieira com oito bagres substituía a carne que continuava na conserva.

Infelizmente, tudo isso acabou. Na minha opinião, a legislação trabalhista na época considerou os fazendeiros como se fossem os vilões do sistema. Na verdade, a própria legislação os fez vilões, uma vez que não havia como indenizar dezenas de famílias. Algumas famílias, por exemplo, trabalhavam a mais de vinte anos numa mesma fazenda. Como não havia recursos para cobrir essas indenizações, os fazendeiros, simplesmente, dispensaram os empregados, derrubaram as casas, a escola, a igreja, o coreto e passaram a investir na pecuária de leite e depois de leite e corte. Essas atividades são desenvolvidas com número pequeno de empregados. Obs. Hoje também temos um mar verde de cana-de-açúcar

Eu acredito que a partir daí teve inicio o êxodo rural, ou seja, éramos felizes e não sabíamos. Não, eu sabia! Hoje tenho saudades de quando nos reuníamos à noite em frente às casas e ficávamos olhando para o céu para ver a estrela que caminhava. Essa estrela, na verdade era um satélite americano que já rastreava o nosso planeta.

Por fim, as cidades não atenderam a demanda dos refugiados rurais ou ambientais que hoje, na sua maioria, (descendentes) subsistem a margem da sociedade e do direito.

Eu parabenizo o senhor Michel Pimbert pelo esforço empreendido e ouso sugerir maior integração com os Secretários de meio ambiente e de agricultura dos vários países desse nosso mundo no sentido de que eles revejam a política agrícola e que voltem a desenvolver a “AGRICULTURA FAMILIAR”. Essa, não vai atrapalhar a vida dos grandes empreendedores do agronegócio.

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