terça-feira, 3 de março de 2009

Piracema

imagem: hipólito
Nos períodos de piracema há esforço dos peixes no sentido de subir os rios para no momento certo realizar a desova e, assim, multiplicar as espécies. A natureza sempre é perfeita, pois se dependesse dela nada sairia errado. Infelizmente, o homem busca, incessantemente, o “progresso/capital” e não atenta para as normas que “em tese” deveriam reger o comportamento. Consequentemente, o homem altera o ambiente e provoca prejuízos de toda ordem. Às vezes, nem percebe que causa prejuízos ao próprio. No município de Palestina – Estado de São Paulo tem um rio conhecido por Rio Turvo. Nesse rio tem um tombo d’água, mais conhecido por Cachoeira do Talhadão Pois bem, até meados da década de oitenta se você chegasse às margens dela, principalmente, nos períodos de piracema, certamente assistiria a um espetáculo da natureza. Os peixes, dourados, piaparas, piaus e lambaris entre outros tentavam saltar o tombo, alguns conseguiam enquanto outros insistiam. Cidadãos conscientes, às vezes se emocionavam e até choravam em presenciar a luta pela vida, enquanto outros se preocupavam em garantir apenas as suas vidas. Esses, mormente, chegavam à calada da noite e lançavam tarrafas na jusante do tombo e nem se davam conta do tempo que estavam ali capturando peixes e mais peixes. Quando percebiam que a quantidade de peixes capturados era grande, muitos já havia se estragado e ali mesmo nas margens ficavam abandonados. O policiamento ambiental se esforçava, além do possível, surpreendia e autuava, no entanto, não havia efetivo suficiente para atender a demanda. O tempo passou, o efetivo aumentou e eles (polícia ambiental) continuam lutando para preservar a fauna ictiológica. Isso é relevante, uma vez que os peixes servem de alimentos ao próprio homem. Entendam que a lei sempre foi aplicada, todavia, a responsabilização pelos atos contrários a vida (natureza) não intimida aqueles que a desobedecem. Nós refletimos muito sobre isso e concluímos que, ou se aprende por amor ou pela dor. Por amor, imprescindível estender a educação ambiental a todos da sociedade, isto é, a ricos e pobres; pela dor, imprescindível que a lei faça o transgressor sentir o peso da responsabilidade. Não sendo assim, aquele tombo, mais conhecido por Cachoeira do Talhadão, nunca mais propiciará aquele espetáculo da natureza. Cliquem no link e observem que o policiamento ambiental continua fazendo a sua parte. Em tempo: talvez, muito brevemente, a educação possa ser ampla e irrestrita e venha a alcançar todos os homens.
Em 02 de outubro de 2011.
AMIGOS E AMIGAS,
Em 2009, eu fiz esta postagem sem a preocupação de que ali iriam construir uma PCH. Hoje, mesmo com o esforço de muitos prevejo que o provérbio se confirmará, ou seja, "A corda sempre arrebenta do lado mais fraco". Eu também sugiro para que façam uma cópia da imagem, no futuro vamos mostrar aos nossos netos e a eles contaremos a história. A história de um empreendedor que resolveu construir uma usina próximo de uma cachoeira para gerar e comercializar um pouquinho de energia elétrica. Obs.: sem levar em conta o valor do impacto do abate da fauna e da flora que ficarão inundadas pelas águas da incompreensão. No futuro, nossos descendentes caminharão no leito seco, onde poderão ver apenas o basalto que ali se acomodou há bilhões de anos. Contaremos a eles que depois do basalto veio a água e depois da água, a flora, a fauna silvestre e a ictiológica. Depois vieram os homos que foram evoluindo, evoluindo, até chegarem nos sapiens. Ah, mas os sapiens, esses competitivos por demais da conta, as vezes irracionalmente desequilibram a vida pelo simples capricho do desenfreado empreendedorismo. Que Deus nos de proteção e paz para compreender aqueles que não detêm essa capacidade.

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