sábado, 14 de março de 2009

EDUCAÇÃO e JUSTIÇA


A vida se constitui num privilégio e desde o início mostra ao homem sua complexidade, às vezes, inexplicável. Sabemos que o homem é capaz de trilhar o caminho do bem e do mal e que o comportamento humano é circunstancial. O homem se adapta as circunstâncias, no entanto, sempre vinculado a interesses. Esses geram lucros, mas também conflitos e prejuízos. Ao utilizar a inteligência, o homem achou por bem se auto organizar, assim criou normas que tornavam perceptíveis o certo e o errado. Aqueles que as desrespeitassem, seriam responsabilizados. No entanto, no decorrer do tempo, percebe-se que nem todos detêm conhecimentos, talvez por conta da ausência de educação. Ressalte-se, se faz necessário dar publicidade as normas para que o alcance seja geral.

A educação, talvez seja tão complexa quanto a vida, essa todos têm, mas nem todos podem viver bem. Por quê? Porque as normas, regras ou leis não são cumpridas. Às vezes, as cumprem, mas direcionando-as conforme interesses, isto é, a ponto de nem gerar conflitos. “Os conflitos, as vezes não são gerados por conta do condicionamento a submissão, mas a submissão ocorre em face de ausência de conhecimento”. Os educadores sofrem com a falta de expectativas, pois prejuízos sócio/econômicos deterioram a capacidade do aprendizado.

Certa vez, na condição de policial militar desenvolvi educação ambiental numa escola via programa Beija-Flor. Esse estava composto de dez horas aula. Na primeira aula, no momento em que me apresentava para 35 (trinta e cinco) alunos da sétima série, percebi que um aluno se posicionava ao fundo e de costas. A atitude despertou curiosidade dos demais alunos, esses olhavam para mim como que perguntando, “
o que o senhor vai fazer”? Naquele momento procurei refletir sobre o que teria levado aquele jovem a se comportar daquele modo. O que teria acontecido na vida dele? Mesmo assim, eu me sentia feliz, ele estava na escola, e por certo, com vontade de aprender. Na minha concepção, o comportamento desse jovem não tinha conotação de desrespeito. Prossegui até a quinta aula e retornei para o quartel sem fazer comentários. No outro dia retornei a escola para fazer a segunda parte, ou seja, completar as dez horas aula. O aluno se comportou do mesmo jeito e não se manifestou em nenhum momento. Importante esclarecer, me deslocava até ao fundo da sala de aula e ficava a frente do aluno. Ele permanecia cabisbaixo.

Quando chegamos a última hora aula solicitei para que fizessem uma redação com o tema meio ambiente. Ao final, os alunos as entregaram, exceto aquele que se posicionava de costas para mim. Eu tenho certeza absoluta que jamais esquecerei o conteúdo das redações, bem como aquela escola e aqueles alunos. A maioria das redações enfatizava problemas sociais do tipo desemprego, alcoolismo, drogas, habitação etc. Nos últimos minutos de aula fiz a entrega dos certificados, isso gerou expectativas com relação ao aluno, pois me perguntavam se ele também receberia o certificado? Os alunos vieram à frente e receberam os certificados. Faltava entregar apenas um. O jovem não veio à frente. Fui ao fundo da sala e me posicionei a frente do aluno e disse: por favor, receba o seu certificado. Ele olhou para mim e disse: eu não mereço, não participei. Foi à primeira vez em que ele se manifestou. Olhei para ele e respondi: você foi o aluno que mais prestou atenção, por isso faço a entrega desse certificado e espero que tudo de certo na sua vida. Ele disse: muito obrigado!

Eu quero ressaltar o quanto é importante preservar o meio ambiente, mas a espécie humana deve ter prioridade no contexto. É complicado para o educador passar orientações quanto a necessidade de se respeitar as leis ambientais para assim preservar a fauna, a flora, a atmosfera, os recursos hídricos, quando a sua frente se apresenta a sua própria espécie. Essa degradada pelo não cumprimento de outras leis. Há pessoas no Brasil que detêm a ferramenta que possibilitaria justiça social, mas infelizmente, prevalece o individualismo, as decisões são tomadas atendendo outros interesses. Em nome da vida, até quando?

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